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30/01/2026

Cicloviagem de Gravel: De Belo Horizonte a Ouro Preto pela Estrada Real

Por que ir de bike para Ouro Preto? E por que ir de Gravel?
Bom... eu e a Debora Lutz já estávamos à procura de uma cicloviagem há tempos, o nosso problema era casar a agenda dos dois e ver o melhor destino. Ouro Preto apareceu como uma solução para nossos problemas, um destino onde poderíamos usar diversas rotas mistas de asfalto e terra.
O meu caso com Ouro Preto é de sempre passar lá com muita pressa, tomar um café na estrada mesmo e voltar. A ideia de ir de gravel usando as bolsas da @draisiana para carregar o que precisávamos — roupas, eletrônicos, ferramentas e comida — nos daria autonomia para poder ficar lá com mais tempo e aproveitar a cidade. Coube tudo perfeitamente nas bolsas, e isso fez toda a diferença na viagem.
E é exatamente isso que a bike gravel nos permite: essa liberdade de mudar caminhos, escolher o que nos cabe melhor a cada momento e ainda assim enfrentar terra e asfalto carregando tudo que precisamos.
Então saímos de Belo Horizonte e escolhemos iniciar a rota por asfalto para ganhar um tempo no início do caminho, porque a previsão era de muito calor. Andamos em direção a Nova Lima e de lá para Rio Acima, onde a aventura começou! TERRA!!! Subimos muitos quilômetros em direção a Glaura, e nesse caminho passamos por diversas cachoeiras. O calor já era absurdo, passando dos 40 graus. Esse trecho é lindo, com vista para os mares de morros de Minas, e de lá conseguíamos avistar a Serra do Espinhaço, onde planejávamos subir em direção a São Bartolomeu e cruzar a serra para chegar em Ouro Preto.
Mudança de planos! O calor estava impossível, era um trecho de muita subida e tivemos que parar em um estabelecimento à procura de água gelada. O Garmin marcava 47 graus e fomos advertidos que dali para frente a coisa ficava ainda pior, seria uma subida longa. Essa parada foi em Soares. De lá tocamos para Glaura por uma estrada muito charmosa com calçamento recém-assentado, e foram 3 km de frescor até o lindo centro de Glaura, onde paramos para almoçar e nos refrescar em um chafariz que ficava ao lado de sua igreja principal. Então decidimos que iríamos para Cachoeira do Campo e de lá pegaríamos a BR-356 por asfalto até Ouro Preto. Com maior velocidade de deslocamento, poderíamos sentir o mínimo de brisa para nos refrescar.
A subida do SESC-Ouro Preto não perdoa. O calor intenso e um trecho sem acostamento, com a estrada movimentada pós-Natal, fez com que a subida parecesse eterna. Fizemos uma parada nela e nos molhamos para tentar baixar a temperatura do corpo e seguimos. Faltava pouco para chegar até nosso destino. E quando avistamos o trevo Ouro Preto-Mariana foi incrível! Sensação de chegar e poder tirar todo aquele sal acumulado do corpo após quase 7h de pedal.
Debora se empolgou e tocou na frente. Ao avistar a primeira igreja, ela já desviou o caminho do hotel e foi lá sentir toda a grandiosidade e beleza da arquitetura barroca que acabava de tocar nossos olhos. Realmente uma igreja belíssima, com paredes externas que estavam todas escritas com nomes e frases que, de certa forma, ficaram bonitas na luz do sol que já estava caindo e projetando o volume dessas ranhuras nas paredes.
Tive que apressá-la com receio de perder a hora do nosso check-in. Cruzamos pelo centro e sua principal praça, a Tiradentes — não poderia ser diferente, né? Afinal, a cidade é conhecida por sua importância política e representada por Tiradentes: O Mártir e Ícone da República. Fizemos a clássica foto lá, é como um ritual para marcar a chegada ao nosso destino.
Ouro Preto, terra do nosso amigo Leo Tropia, que já estava nos aguardando para nos receber no bar que leva o nome da cerveja artesanal que produz ali em Cachoeira do Campo. Deixamos a bike no hotel, tomamos um banho e já nos preparamos pra encontrar ele no Bar da Ouropretana. Tudo perfeito! Cervejas maravilhosas e a comida também. Leo nos contou como é morar lá, falou um pouco da sua família e de curiosidades que ligavam o dono do bar com o Vinícius Jacinta, que é nosso super amigo de BH e que também tem dois estabelecimentos muito ligados com a cultura gravel aqui.
Então eu e Lutz (como chamo a Debora) nos despedimos e fomos ver a cidade. Clima festivo, iluminação de Natal e toda a beleza de luzes quentes que deixam as ruas um charme que só indo para ver. Parece tudo um cenário de filme de época — afinal, a primeira cidade do Brasil a ser Patrimônio Mundial da UNESCO em 1980 era onde estávamos. Entramos em um charmoso pub onde as escadas nos levavam para um espaço que mais parecia uma taberna medieval. A cidade estava lotada e passamos a andar sem rumo, apenas apreciando a beleza das ruas e sua arquitetura barroca que saltava aos olhos. Surpresa da noite foi achar hambúrgueres vegetarianos perto de nosso hotel que estavam perfeitos!
Dia 2 foi a escolha de um dia off-bike. Leo havia chamado para pedalar até Lavras Novas, mas eu estava querendo viver a cidade. Debora ficou balançada com o convite, mas se tem alguém que gosta de ver igrejas é ela... e Ouro Preto tem cerca de 12 a 13 igrejas, fora as capelas. Então saímos a pé e rapidamente adentramos um beco que nos levaria para um lugar maravilhoso: Parque Horto dos Contos, um trecho de preservação da Mata Atlântica onde a temperatura e o ar estavam perfeitos. Esse parque nos ligou diretamente ao Museu da Casa dos Contos, que é um monumento barroco em Ouro Preto que narra o Ciclo do Ouro e a Inconfidência Mineira, abrigando uma preservada senzala e importante acervo de moedas.
De lá visitamos o Museu da Inconfidência, enorme e localizado exatamente na praça central onde havíamos registrado nossa chegada. O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, preserva a memória do levante mineiro. Sediado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, seu acervo reúne arte sacra, documentos e restos mortais de inconfidentes. Após a visita, achamos um restaurante afastado do centro, também com várias opções vegetarianas, que fez um carinho no nosso estômago. Foi perfeito.
Tiramos uma soneca e seguimos para um café da tarde, um local lindo com vista para as montanhas e o pôr do sol por trás delas. Torta de pistache e chope do Leo Ouropretana, lógico. De lá pegamos a cidade toda desenhada pela luz do fim de dia e seguimos visitando todas as igrejas que os olhos alcançavam, até o cansaço e a fome baterem de novo. Nos dirigimos para o hotel, onde no caminho repetimos o burgão vegetariano perfeito.
Dia 3 chegou com aquele gostinho de despedida, mas também de realização. Café mineiro reforçado, malas arrumadas nas bolsas, garrafas cheias e partimos de volta pra BH saindo por baixo de Ouro Preto. Leo nos esperava no início do trajeto, mas não demorou muito para o pneu furar. Câmara de ar nova e seguimos até Cachoeira do Campo, onde Leo se despediu com aquele abraço apertado de quem sabe que a próxima aventura já está sendo planejada.
De lá foram apenas 15 minutos até o sorvete paquistanês, que é uma experiência única — tem que ir pra sentir o sabor e as misturas inusitadas. O calor já estava forte de novo e aquele sorvete caiu como uma luva, refrescando corpo e alma antes de encarar os próximos quilômetros.
Seguimos até Itabirito e viramos pela estrada de terra que nos levaria até Rio Acima. Estrada linda, cercada de vegetação que deu uma boa amenizada no calor. Em Rio Acima, fizemos uma parada estratégica em uma padaria para comer e refrescar antes de pegar o asfalto em direção a Raposos. Dali em diante, seguimos por uma estrada de terra plana que beira um rio até Sabará, um dos trechos mais gostosos da volta.
De Sabará, pegamos asfalto novamente. O sol castigava sem piedade e fizemos uma parada forçada para nos refrescar e tomar um banho em uma bica em um posto de gasolina. Aquela água gelada caindo foi quase tão boa quanto a chegada em casa. Recarregados, encaramos os quilômetros finais.
A chegada foi maravilhosa, daquelas que a gente sente que valeu cada gota de suor. A média de temperatura da viagem foi de 33 graus. Pegamos uma volta com menos subida e menos terra para tentar pegar menos sol direto. Foram 6h e 10 min de pedal curtindo cada metro do caminho, cada paisagem, cada conversa. Gravel é isso: liberdade de escolher, de mudar, de adaptar e de viver a estrada do jeito que ela se apresenta.

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